Supondo que somos todos anônimos aqui, e que a idéia é a gente aproveitar o momento para levantar da cadeira e dizer "Meu nome é Loris, eu sou geek", eu queria dizer contar como foi que eu tomei contato com computadores.
Eu tinha oito anos quando meu pai comprou o pczinho. Ele ainda está lá na casa dos meus pais. Tenho certeza que meu pai não vai dar fim nele, principalmente porque ele custou US$ 5 mil. Se você pensar que um Pentium 4 mega power sai por uns 3k, você entende o apego.
O pczinho não tinha HD (ou winchester, como somente meu pai, na época, e o Carlos, até hoje, ainda dizem). Ele tinha dois drives de 5 1/4 nos quais a gente colou muitos adesivos dos Comandos em Ação quando ele virou o computador das crianças (isso já no futuro, quando meu pai comprou um XT). O computador era um embutido de drives e tela de fósforo verde de nove polegadas. O teclado, se comparado com os de hoje, era equivalente a um empilhado de cinco teclados slim. Com teclas mais barulhentas que uma gata dando à luz uma ninhada de doze. Mas ele era muito querido.
Eu não sabia o que fazer com aquele cursor que piscava na frente de um A:>.
Eu não sabia o que fazer com aquele programa que meu irmão instalou que fazia letras e elas viravam um joguinho. Era um text adventure. Baseado nos livros que a gente maid adorava, "Eu, Detetive". Mas misturando pistas como o chiclete sabor de laranja dos Trapalhões, a chave para todos os mistérios.
Quando houve o primeiro upgrade e a tela era um CGA, com três cores distintas: branco, magenta e ciano, eu surtei. Meu pai trouxe o jogo do Roger Rabbit, cuja maior tarefa (ou a que eu lembro mais vividamente) consistia em correr ao redor das mesas do cabaré, servindo as pessoas e evitando as doninhas da máfia. Não era um Amiga, mas dava conta do recado.
Outro ponto importante desse momento CGA foi a presença do Torus. Pra mim, isso significava simplesmente um programinha que fazia rosquinhas virtuais em diversas (três) cores. Era encantador.
Depois as coisas foram ficando como seriam até hoje: um 286 com tela EGA. A Internet, via Videotexto, no modem de 2400 BAUDS (eu achava que eram baldes de informação), com joguinhos que já estão esquecidos. As BBSs que eu pagava do meu bolso, pelo simples fato de que eu podia. Não tinha nada que fazer lá, mas eu podia pagar por um serviço que era só meu, então eu pagava e usava. Conheci um professor de violino com o qual eu nunca tive aula, mas demonstrava como o mundo era cheio de gente útil e desconhecida.
Daí veio o primeiro VGA (o primeiro VGA a gente nunca esquece) e, com ele, um development muito importante na vida: O Windows 3.11. E, logo depois, o Trumpet Winsock, caminho das pedras pra descobrir que existia a Internet. Depois, o Mosaic, que até caiu na minha prova de vestibular (quatro anos depois), como sendo um exemplo de browser. Depois, o Eudora. Depois, o e-mail do Hotmail, e o segundo VGA, e o Super-VGA, o modem de 9600, o 486, e um computador só meu, e um computador para cada da casa, e meus sites no Geocities e no TumtsTumts.com.br, e meu próprio computador, comprado com meu dinheiro, e a internet banda larga, e meu próprio domínio, e meus blogs todos, e todas aquelas coisas que a gente tem como totalmente certo hoje em dia.
Nossa, como o tempo passou. Eu não envelheci, mas é difícil não olhar pra esse caminho e pensar: jesuis alado, como eu sou geek.